Disputado no antigo formato de mata-mata, o Campeonato Brasileiro de 1997 contou com a participação de 26 clubes. Na primeira fase, as equipes se enfrentaram em partida única e os oito melhores se classificaram para a segunda etapa onde em dois grupos com quatro clubes cada, os times se enfrentaram em jogos de ida e volta. O campeão de cada grupo disputou a final.

Mas antes de falarmos do campeonato de 1997, é necessário voltarmos brevemente ao seu ano anterior, quando o Vasco fez um péssimo Campeonato Brasileiro e ficou boa parte lutando contra o rebaixamento. Nesse ano, iniciou-se a busca por um grande jogador que pudesse, num primeiro momento, tirar o clube da difícil situação e, em sequência, voltar a disputar títulos expressivos. O leitor deve estar se perguntando o que uma coisa tem a ver com a outra e eu vou explicar.

Nesse exato momento de procura que os olhos da diretoria vascaína se voltaram para um jogador, que havia sido revelado pelo Vasco e que vivia a maior década de sua carreira. Entretanto, nos últimos dois anos vinha passando por problemas graves em sua vida pessoal, que o atrapalharam dentro de campo. Estava pronto o cenário para que Vasco e Edmundo nunca mais voltassem a ter suas histórias contadas sem que uma pertencesse à outra. Mas o capítulo principal dessa relação foi justamente o Brasileirão de 1997, que terminou de forma extraordinária para a torcida vascaína. Vimos em 21/12/1997, um ídolo, que se tornou eterno, sendo carregado nos ombros daqueles aos quais ele liderou durante todo o campeonato, com seu desfile de jogadas lindas e recordes batidos.

Obviamente que não quero limitar o time de 97 ao Edmundo, sobretudo porque esse foi um time extremamente assertivo em sua formação. Tivemos equilíbrio perfeito entre uma base, de onde vimos surgirem grandes craques do futebol Brasileiro, como Felipe Maestro, Pedrinho e Juninho Pernambucano, e jogadores experientes com carreiras exemplares, como Mauro Galvão. A defesa vascaína serve muito bem como exemplo da fórmula de sucesso: Mauro Galvão, elegante e experiente, atuando ao lado de Odvan, zagueiro viril, que veio do Americano de Campos para se tornar uma lenda do futebol nacional. Inclusive o jogador ganhou a fama de “Zagueiro-Zagueiro”, apelido dado por Luxemburgo em seus tempos de Seleção. No gol, Carlos Germano, um dos maiores goleiros de nossa história, que, como se diz na gíria, pegava até pensamento.

Já no ataque, tivemos o luxo de contar com um dos mais elegantes camisas 09 do país e maior parceiro que Edmundo teve em sua carreira: Evair. Um craque! Atuava tão bem como peça principal quanto como coadjuvante em nosso ataque. Cabe aqui até uma crítica pessoal: Evair merece muito mais destaque do que recebe da torcida vascaína. Seus toques sutis, seu chute colocado e sua brilhante inteligência muitas vezes deixaram o campo livre para que a fera ao seu lado tivesse tempo e espaço para desenvolver o futebol.

Mas nada foi mais determinante para o Tricampeonato Brasileiro do que os gols e as jogadas de Edmundo. Certamente, foi uma das maiores atuações individuais de um jogador no decorrer de um campeonato inteiro. Recorde de gols numa única partida (seis contra o União São João, em 11/09/1997) e maior número de gols feitos, até então, no Campeonato Brasileiro, sendo os últimos três marcados em cima do Flamengo, no histórico jogo em que eliminamos o rubro-negro do campeonato e passamos para a final. Tudo isso após ser determinante em todas as partidas decisivas no grupo, que contou com Juventude e Portuguesa, além do rival carioca. Na final, a vantagem por ter sido o melhor time do campeonato nos garantiu o título depois de dois empates em 0x0, contra o Palmeiras.

Enfim, caro torcedor, como você pôde observar, o título de 1997 é muito mais do que o Tricampeonato. Ele serviu de base para muitas outras conquistas, que vieram nos três anos seguintes e estabeleceu o clube como um dos maiores do planeta, sendo um marco na história do Club de Regatas Vasco da Gama.

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