Primeira Fase

O Campeonato Brasileiro de 2000 recebeu o nome de Copa João Havelange. Com recorde de participações – 114 clubes divididos em 4 módulos (azul com 25 clubes da elite do futebol, amarelo 36 clubes, verde 27 e branco 26 das séries B e C) – é o maior campeonato brasileiro da história. Ao todo, 16 clubes se classificariam para a fase eliminatória, sendo 12 do módulo azul, 3 do amarelo e 1 do verde/branco.

O Vasco começou o campeonato ressabiado pela derrota no Mundial Interclubes da FIFA para o Corinthians e do estadual para o Flamengo. Já na primeira rodada, deu um banho de água fria em quem esperava uma estreia tranquila. Com direito a pênalti desperdiçado por Romário, o Sport derrotou o Vasco, dentro de São Januário, por 2×0.

Com tudo pra se reerguer diante de sua torcida, diante do Cruzeiro, o Vasco abriu o placar em 3×1 (Viola (2) e Romário) no primeiro tempo, depois de chegar a vencer por 3×0. Mas na segunda etapa, em apenas 4 minutos, o jogo já estava empatado, permanecendo assim até o final. Sinal de alerta ligado.

Finalmente a vitória chegou e foi diante do algoz do Mundial. No reencontro com o Corinthians, o Vasco venceu embaixo de chuva por 1×0, gol do Baixinho. O cruz-maltino passou a alternar bons momentos, como 8 jogos invictos (vitória sobre Fluminense, América-MG, Juventude, Atlético-MG, Gama e Goiás. Além de empatar com Vitória e Santos) e momentos ruins, como quando a sequência acima foi interrompida por uma goleada de 4×0 pelo Flamengo. Anteriormente, também teve situações desfavoráveis, como quando não passou de um empate contra o Santa Cruz e na última rodada, onde sofreu nova goleada por 4×0, mas dessa vez pelo São Paulo, dentro de São Januário.

A classificação foi em 5º lugar no geral, com a campanha de 11V- 6E-7D.

Vasco 0x2 Sport
Vasco 3×3 Cruzeiro
Vasco 1×0 Corinthians
Guarani 0x1 Vasco
Santa Cruz 1×1 Vasco
Vasco 2×1 Ponte Preta
Portuguesa 2×2 Vasco
Vasco 2×2 Atlético-PR
Bahia 3×1 Vasco
Vasco 4×3 Fluminense
Vasco 4×0 América-MG
Juventude 1×2 Vasco

Vasco 4×0 Atlético-MG
Vasco 2×2 Vitória
Santos 1×1 Vasco
Vasco 1×0 Gama
Vasco 2×1 Goiás
Flamengo 4×0 Vasco
Coritiba 0x1 Vasco
Internacional 2×0 Vasco
Palmeiras 3×0 Vasco
Vasco 1×2 Botafogo
Grêmio 0x1 Vasco
Vasco 0x4 São Paulo

Oitavas de Final e o Gol 1000

O adversário do Gigante da Colina nas oitavas foi o Bahia. Na partida de ida, disputada na Fonte Nova, o time da Terra de Todos os Santos abriu a vantagem de 2×0. O Vasco conseguiu a virada, mas cedeu o empate aos 34’ da 2ª etapa. Como era o dono da melhor campanha, o jogo da volta foi disputado em São Januário. Com a vantagem de poder empatar em até 2×2, em um estádio lotado, com direito a pênalti desperdiçado pelos baianos, o Vasco venceu por 3×2. Coube ao Juninho Paulista o gol da vitória e a marca de fazer o milésimo tento cruz-maltino na história dos nacionais.

O Gigante avançou para as quartas, onde enfrentou o Paraná. Do Rio de Janeiro, o Vasco era o único que ainda se mantinha vivo na disputa, já que Botafogo e Flamengo nem da primeira fase passaram e o Fluminense sucumbiu ao surpreendente São Caetano nas oitavas.

Quartas de Final

Numa tarde de domingo, o Vasco fez uma das suas melhores partidas em todo o campeonato: atropelou o Paraná Clube por 3×1, com dois gols de Romário e um de Juninho Paulista. Com essa vitória, o cruz-maltino colocou os dois pés na semifinal, pois garantiria a vaga mesmo se perdesse (desde que fosse por um gol de diferença).
No sufoco, o Vasco conseguiu segurar o ímpeto do Paraná, no Couto Pereira, com quase 30.000 espectadores. Para ter mais emoção, nos últimos minutos de partida o Gigante tinha um jogador a menos, após a expulsão de Junior Baiano. O time perdeu por 1×0, mas o resultado classificou o cruz-maltino. Agora por uma vaga na decisão, o confronto seguinte foi com o Cruzeiro.

Demissão, grito de campeão e vaga na decisão

Disputando as finais da Mercosul paralelamente à fase de mata-mata do Brasileiro, o Vasco desperdiçou a chance de já chegar para o confronto contra os mineiros como campeão do Intercontinental (o time precisando apenas do empate perdeu para o Palmeiras por 1×0, sendo necessário um terceiro jogo). Diante da equipe de Minas Gerais, que vinha de um descanso de 14 dias, o Vasco tentou se impor na partida em casa. Com dois gols de Euller, abriria boa vantagem para o jogo da volta no Mineirão, porém o time sucumbiu ao cansaço e tomou um gol aos 34’. Aos 42’ do segundo tempo, cedeu o empate aos mineiros.

Em meio a divergências de opiniões entre Oswaldo de Oliveira e Eurico Miranda, o técnico acabou sendo demitido. O horário da reapresentação do elenco na segunda posterior ao jogo e o abraço de Oswaldo em Felipão, técnico cruzeirense, antes da partida irritaram o dirigente de futebol e presidente eleito Eurico.

O cartola marcou o treino no horário que queria e anunciou Joel Santana para substituir. Mesmo com esse turbilhão político, o Vasco fez história: em 20/12/2000, venceu o Palmeiras, de virada, por 4×3. Ânimo extra para a decisão no Brasileiro.
Apenas três dias após o titulo da Mercosul, o Vasco parecia jogar em casa, sem tomar conhecimento do Cruzeiro e dos mais de 64 mil torcedores. O Gigante da Colina bateu a Raposa por 3×1, com gols de Juninho, Euller e Romário, que fez seu primeiro gol no Mineirão.

Empate sofrido e a sensação da fase final

Com o desfalque de Juninho Pernambucano, o Vasco enfrentou o bom time do São Caetano, diante de quase 30 mil espectadores, no Palestra Itália. O jogo foi decidido antes dos 45’ iniciais: César marcou aos 11’ para o time do ABC e, aos 27’, Romário empatou para o Vasco, dando números finais a partida.

Com esse placar, a final estava em aberto. Quem ganhasse, levantaria a taça; empate em 0x0, título vascaíno; em 1×1, levaria a decisão do Brasileiro para as penalidades e empate a partir de 2×2, o São Caetano escreveria seu nome de vez na história, com apenas 11 anos de existência.

O jogo que não acabou

Em 30/12/2000, o último campeão do século seria conhecido dentro de domínios vascaínos. A festa estava praticamente perfeita. Na cabeça dos torcedores, quase certa. Apenas vascaínos na arquibancada, réveillon se aproximando e sábado de sol. Foram 31.761 pagantes em São Januário.

Logo de inicio, Romário sentiu a coxa e foi substituído por Viola. Enquanto isso acontecia, um tumulto se iniciou na torcida. Para fugir da confusão, muitas pessoas se amontoaram fora dos degraus da arquibancada, fazendo grande pressão no alambrado, que cedeu. A partida foi paralisada aos 23’ do primeiro tempo.

Nesse acidente 168 pessoas ficaram feridas. Após o atendimento, a remoção das vítimas e uma longa paralisação, bombeiros, Polícia Militar e Defesa Civil deram aval para o reinício da partida. Mas, pela TV, o governador Anthony Garotinho ordenou a paralisação do jogo. Com o encerramento e a torcida ainda no estádio, eis que surgiu o Vasco comemorando o tetra. Em entrevista, um exaltado Joel Santana disse: “acabaram com o jogo e o placar era 0x0. Com esse placar o título é nosso”.
Passada toda essa confusão, o STJD, por unanimidade, anulou o jogo e remarcou a partida para 18/01, no Maracanã, com portões abertos.

Primeiro Campeão do Milênio

O maior Campeonato Brasileiro da história teria seu desfecho no maior e mais importante estádio do planeta com 60 mil pessoas nas arquibancadas. Dessa vez, torcedores dos dois times estavam presentes na festa. Pra iniciar, a inesquecível polêmica: acusando as emissoras de TV de manipulação de falas e imagens referente ao episódio da queda do alambrado em São Januário, o presidente Eurico Miranda substituiu a logo da ACE pela da emissora SBT. Além de ser a maior rival da Globo, de acordo com o cartola, era a única emissora a tratar com veracidade os fatos ocorridos no estádio vascaíno.

Dentro de campo, pra começar bem a festa, aos 28’ do primeiro tempo, Juninho, que se despedia da nação cruzmaltina, recebeu passe de Romário e acertou um belo chute na gaveta de Silvio Luiz. Em menos de 10 minutos, o São Caetano empatava a partida com Adãozinho, enchendo os torcedores do ABC de esperança, já que haviam vencido outros grandes clubes. Porém, desta vez, o adversário era um Gigante. A alegria não durou muito e, apenas três minutos depois, Juninho Paulista tocou para Jorginho Paulista ampliar o marcador.

A festa já se iniciou no intervalo. O São Caetano finalmente parecia abatido, mas faltava a cereja do bolo. O Baixinho, que fez chover no titulo da Mercosul, deu números finais a decisão. Com passe de Juninho Paulista, Romário fez o terceiro gol cruz-maltino. O Vasco se sagrava Tetracampeão Brasileiro e novamente fazendo história: o primeiro campeão do milênio.

Mais Informações

CAMPANHA GERAL
PG J V D E GP GC SG
54 32 15 8 9 54 49 5

ELENCO CAMPEÃO BRASILEIRO DE 2000

Goleiro: 1 Hélton, 12 Márcio, 24 Fábio.

Lateral Direito: 2 Jorginho, 25 Maricá, 29 Clebson.

Lateral Esquerdo: 13 André Silva, 27 Jorginho Paulista.

Zagueiro: 3 Odvan, 4 Junior Baiano, 14 Valkmar, 15 Henrique, 16 Geder, 22 Mauro Galvão, 28 Alexandre Torres.

Volante: 5 Paulo Miranda, 17 Nasa, 20 Luizinho.

Meia: 6 Felipe, 7 Pedrinho, 10 Juninho Paulista, 23 Alex Oliveira, 31 Juninho.

Atacante: 8 Euller, 9 Viola, 11 Romário, 19 Zezinho, 26 Luiz Cláudio

Técnico: Oswaldo de Oliveira, Joel Santana

Galeria de Fotos

Comentários

comentários