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Era o primeiro dia de junho de 2011. Peguei o ônibus no Aterro junto com meu pai e fomos encontrar meu irmão, meus companheiros de todas as conquistas do Vasco que acompanhei de perto. Nosso destino era São Januário e, depois de tanto tempo, estávamos prestes a assistir a uma final nacional com um time que dava gosto de ver.

Formado por bons jogadores, mas que não viviam o auge de suas carreiras antes de chegar ao Vasco, e mais algumas ótimas revelações que começavam a se firmar, o time “deu liga”. A grande verdade é que, mesmo com algumas apostas, o elenco foi bem montado. Assistimos a uma mudança de curso no início do ano, após um fiasco no princípio do Campeonato Carioca, onde o Vasco perdeu para times pequenos em sequência. Talvez tenha sido crucial, principalmente para fechar e unir o grupo, a saída do jogador Carlos Alberto e a chegada do treinador Ricardo Gomes àquela altura, somadas a mais algumas contratações que vieram.

Sentados no banco de trás, ansiosos com aquele trânsito já comum na cidade do Rio, relembrava com meu pai a campanha até ali. Uma estreia diferente de outros anos, sem economizar nas bolas na rede: 6 a 1 no Comercial, no Mato Grosso do Sul. Bela atuação contra um time fraco, que não deu trabalho e com destaque para a enfiada de bola do maestro Felipe no quarto gol. Coisa de gênio! Não foi tão fácil na fase seguinte, contra um time que jogou fechado, o ABC de Natal. Garantimos a classificação em casa com gol de Bernardo, após jogada de linha de fundo e assistência de Éder Luis, que se repetiria várias vezes durante o ano.

Conforme o ônibus ia parando nos pontos, sentíamos o quanto nosso Caldeirão iria ferver. Era um mar de faixas diagonais vestidas em confiantes vascaínos. Um pouco daquela confiança veio da nossa atuação nas oitavas de final, onde logo no primeiro jogo em Recife goleamos o Náutico indiscutivelmente: 3 a 0. Fomos para os jogos das quartas de final conscientes de que pegaríamos um dos adversários mais difíceis naquela campanha, o Atlético Paranaense. Comentei com meu pai o sofrimento naquele confronto. Estávamos sendo desclassificados, com um empate fora de casa e a derrota parcial no segundo jogo. Quando, aos 35 minutos do segundo tempo, em cruzamento perfeito do lateral Fagner, nosso reserva Elton fez um golaço de cabeça salvador, que decretou nossa ida às semifinais. Sufoco.

Já em São Cristóvão e divididos entre a nossa retrospectiva e os gritos que a galera já entoava no caminho, lembramos da emblemática semifinal contra o Avaí. Um adversário que colocava menos medo do que o anterior, veio ao Rio a fim de fazer jogo duro e levar a vantagem para Santa Catarina. Conseguiu. Empate em solo carioca e tensão no jogo de volta. Mas o que parecia uma dura missão foi simplificada por Diego Souza. Após o primeiro gol de cabeça, Diego fez uma pintura no segundo, o mais bonito da competição: Alecsandro pegou emprestado a maestria do Felipe na assistência entre os zagueiros e Diego marcou o gol da classificação, com um toquinho de quem sabe por cima do goleiro. Ele ainda não tinha essa noção, mas havia sido uma de suas melhores partidas com a cruz-de-malta no peito. Passagem para a final carimbada.

Chegamos em São Januário quase ao mesmo tempo que a delegação do Coxa. Resultado: encontramos meu irmão debaixo de gás de pimenta, naquele clima característico de grandes decisões no estreito entorno do nosso Caldeirão. Nada que tirasse nossos sorrisos. Entramos e curtimos o estádio lotado, uma linda festa. O jogo começou e se desenhou logo de cara como seria até o final: muita marcação e poucas chances de gol. Um primeiro tempo movimentado, mas a emoção só apareceu no início da segunda etapa. Jogada aberta na direita, belo cruzamento do garoto Alan, antecipação e linda cabeçada de Alecsandro. Nosso camisa 9, criticado em outros momentos, foi fundamental. Tirando alguns sustos em tentativas de empate do Coxa, saímos satisfeitos e mais confiantes ainda naquele dia. Comentei com meu irmão que poderíamos ter forçado para fazer o segundo gol, mas ele me garantiu que havia sido um resultado excelente.

Uma semana depois, o segundo jogo da final, que foi um dos mais emocionantes do ano. Assisti de casa. Sou daqueles caras que reluto em ver o jogo em bar, pois se não estou no estádio gosto de ver e ouvir as partidas. E assim foi. Um amigo vascaíno me acompanhou e ficamos os 90 minutos naquele sofrimento. Jogaço. O gol do Vasco logo no início do jogo deu a falsa impressão de que o caneco já estava garantido. Jogada típica daquele time: Éder Luis indo ao fundo e rolando para Alecgol abrir o placar. Confesso que relaxei. Não esperava ir para o intervalo perdendo por 2 a 1. O Coritiba tinha um time rápido, impôs uma forte pressão e virou o jogo. Mas tínhamos um time maduro e um treinador sereno. Voltamos do intervalo seguros do que precisávamos fazer: mais um gol e obrigaríamos o Coxa a fazer mais dois. E fizemos. Éder Luis acertou um chute espírita da entrada da área, com efeito. A bola fez uma curva e enganou o goleiro. Gol do título. A partir daí foi sofrimento até o apito final.

O gol da vitória do Coxa no jogo veio em um chute que o jogador do Coritiba não acertará nunca mais na vida dele. Mas não adiantou. Aquele título já tinha dono. Foi uma explosão de alegria. Fomos pra rua, encontramos vascaínos aos montes comemorando, inclusive meu pai e irmão, companheiros do primeiro jogo da final e de sempre. A torcida do Vasco varou a madrugada soltando aquele grito preso na garganta por alguns anos. Voltamos a fazer o que nos acostumamos desde que existimos: levantar taças. Impressionamos o país carregando o time nos braços na volta pra casa.

Não dá pra destacar um protagonista. Ricardo Gomes chegou ainda no Carioca e deu outra cara ao time. Fernando Prass cansou de operar defesas importantíssimas em diversas oportunidades. O que falar dos nossos laterais Alan e Fagner? Incontáveis as chances e gols marcados que nasceram dos cruzamentos deles. Nossa zaga com o mito Dedé despontando e com o excelente Anderson Martins ao seu lado. O garoto Rômulo, grande revelação na cabeça de área, carregava o piano e ainda avançava ao ataque com qualidade. E nosso quarteto, que desequilibrou: monstro e maestro Felipe; o maquinista do trem bala Diego Souza, que atropelou o Avaí e nos colocou na final; e nosso ataque Éder e Alecgol, com gols decisivos na final e em diversos outros jogos do torneio. Que time! A torcida voltou a sorrir naquele ano. E a taça da Copa do Brasil de 2011 foi fazer companhia às outras tantas na nossa magnífica sala de troféus.

Saudações Vascaínas!

Avaí 0x2 Vasco da Gama em 25/05/2011

Vasco 1×0 Coritiba – Primeiro Jogo da Final

Coritiba 3×2 Vasco – Segundo Jogo da Final

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