Diante das muitas discussões que o maior esporte no Brasil proporciona, uma envolvendo o Vasco tem merecido maior atenção dos vascaínos de modo geral: afinal, o Vasco é ou não campeão mundial de clubes? Antes de expor o que penso sobre a autenticidade do titulo de campeão mundial de 1953, cabem aqui algumas explicações a respeito da organização do campeonato que o Gigante da Colina disputou naquele ano.

Só a partir de 1960 a Conmebol passou a definir o campeão sul-americano de futebol com autorização da FIFA. A UEFA, que já definia o campeão europeu desde a temporada 1955/1956, fez um acordo informal – ou seja, sem autorização da FIFA – com a confederação sul-americana para a realização de um torneio intercontinental. A partir de então, a confederação europeia e a Conmebol passaram a definir o campeão mundial em um jogo disputado entre o campeão europeu e o sul-americano. Essa fórmula durou até 2004 e somente na temporada seguinte foi definido o formato usado atualmente pela entidade máxima do futebol. Alguns clubes brasileiros, contudo, se vangloriam e são aclamados como os “legítimos” campeões mundiais desconsiderando o que ocorreu antes disso.

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Taça do Torneio Rivadavia de 1953 exposta em São Januário

Antes de 1960, o presidente da FlFA, Jules Rimet, atribuía à Confederação Brasileira de Desportos, a responsabilidade por organizar campeonatos na América do Sul. Em 1951 e 1952, por exemplo, foram disputados, respectivamente, o Torneio Internacional dos Campeões e a Copa Rio. Ambos os campeonatos contaram com equipes europeias e sul-americanas.

Em 1953 foi organizado e realizado o Torneio Octogonal Rivadavia Correa Meyer vencido de forma invicta pelo nosso Vasco da Gama. Divido em dois grupos que separavam os clubes do Rio e de São Paulo, o Gigante da Colina disputou partidas com Fluminense, Botafogo e Hibernian – time da Escócia que era um dos principais do mundo ate então. Com um empate no duelo internacional e duas vitórias em cima de seus rivais regionais, o Vasco se classificou em primeiro lugar.

Desta forma, as semifinais contaram com: Vasco, Fluminense (segundo colocado no “grupo carioca”), São Paulo e Corinthians (classificados no “grupo paulista” superando Sporting e Olimpia). Com duas vitórias sobre cada um dos times de São Paulo, o Expresso da Vitória se consagrou campeão mundial de futebol daquele ano.

Até hoje o Vasco tem encontrado uma resistência inexplicável na busca pelo reconhecimento do bi campeonato mundial – além de 53, em 1957 o Vasco ganharia novamente um torneio que pode ser considerado o Mundial da época. Além de termos disputado um campeonato legítimo, organizado sob indicação da FlFA e com participação de grandes equipes da época, temos no Brasil “campeões mundiais” com menos direitos que outros simplesmente por uma falta de respeito a memória do futebol.

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Escalação do time cruzmaltino no ano da conquista

Como bom vascaíno, usarei os Urubus como exemplo negativo de como as coisas funcionam pra uns e pro Vasco não funciona. Em 1981, o Flamengo disputou e venceu um jogo único contra o Liverpool, sem aval da FlFA, e que sequer aconteceria se não fosse patrocinado por uma empresa de automóveis cuja única intenção era vender carros no Oriente. Além disso, os Urubus ganharam uma Libertadores de forma extremamente duvidosa, vide o jogo contra o Galo apitado por José Roberto Wright. Os flamenguistas são os primeiros a dizer que nossos mundiais não valem e, com o apoio da mídia imunda, sustentam a teoria de que são campeões mundiais por uma partida amistosa.

Amigo vascaíno, ainda que o outros não reconheçam, espero ter dado argumentos suficientes
para que cada um se considere campeão do mundo. O Vasco, de fato e de direito, é até mais campeão mundial do que a maior parte dos que são reconhecidos por aí.

Saudações Vascaínas!

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Jornal anuncia a conquista do Gigante da Colina em 1953

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