O ostracismo na briga por títulos, os três rebaixamentos em oito anos, as patacoadas das administrações. Tudo isso ofuscou o brilho do Vasco no futebol brasileiro na última década. Com exceção das conquistas da Copa do Brasil em 2011 e o bicampeonato carioca (que era para ser tri) em 2015 e 2016, o Vasco não ganhou nada. Brigou pelos títulos do Brasileirão e da Sul-americana em 2011 e caiu diante do campeão nas quartas de final da Libertadores de 2012, é verdade. Porém, fora isso, nem os troféus de honra das séries B de 2014 e 2016 o clube levantou. Para uma geração que sofre de amnésia e aparenta acreditar que antes dos anos 2000 não havia futebol, um prato cheio.

Alguns ídolos do Vasco em São Januário. Exemplos claros de que o passado jamais deve ser esquecido.

O alento após anos de decepções foi a classificação do clube para a Taça Libertadores da América após 5 edições. Contrariando a muitos que duvidaram e afirmavam com todas as letras que o Vasco ia cair novamente, o elenco que passou pelas mãos de três treinadores na temporada superou problemas extra-campo, lesões de jogadores importantes e as próprias limitações para alcançar a vaga – ainda que na fase preliminar – na competição continental. Convenhamos: um clube do tamanho do Vasco não pode participar da Libertadores como quem visita parentes do outro lado do país de tempos em tempos. Precisamos ser mais assíduos na disputa e regulares temporada a temporada.

A verdade é que bem ou mal o Vasco incomoda, e o incômodo só existe pela grandeza do clube. Torcedores e secadores se incomodam nos momentos bons e ruins e isso é sinal de que o Gigante continua forte. Um exemplo legal é a primeira fase pela qual passamos com facilidade na Libertadores. Antes do jogo os torcedores do Vasco estavam, de fato, preocupados com toda a turbulência da palhaçada que foram as eleições e as perdas de jogadores importantes do elenco, como Nenê e Anderson Martins. Quem estava de fora, ou seja, torcedores de outros clubes, não sabiam direito o que acontecia. Sabiam apenas que o time havia teoricamente enfraquecido. Antes da bola rolar diante do Universidad Concepción do Chile, o discurso era de que o Vasco não se classificaria e que passaria vexame. Tal discurso não se resumia apenas a rivais. Torcedores de clubes de outros estados também reproduziam a fala pronta, talvez por influência da mídia, talvez pela inveja de não estar na mesma condição que a gente, o que é até normal.

Paulinho e Evander. Jovens promessas em nítido crescimento.

Quando fizemos 4 a 0 na ida lá no Chile, as palavras dos que torceram contra pareceram álcool. Tudo que foi dito antes sofreu um processo de volatilidade. Após o 2 a 0 fácil em casa, mais ainda. O clube chileno (que diga-se, joga na série A do país e não chegou na Libertadores à toa) passou do status de “responsável pela eliminação do Vasco” a “equipe amadora” e “fraquíssima”. Ora bolas! As deficiências do Concepción eram evidentes após o jogo. Mas os torcedores dos outros times pensam que o Vasco é o que? Nada? Será que não sabem que temos título de Libertadores em ano de Centenário? Não sabem que nas duas últimas Libertadores que disputamos caímos somente para campeões? Acham que nossa camisa não tem peso nenhum? Provavelmente não. Por isso, agora eles têm falado que o Jorge Wilsterman, próximo adversário do Vasco, é uma mistura de Manchester City com Paris Saint-Germain. Só que não.

Alguns são-paulinos são um ótimo exemplo. O time não ganha absolutamente nada desde 2012 (já são seis anos). Conquistou o último paulistão em DOIS MIL E CINCO (mais de 10 anos, e contando…). Quase caiu duas vezes nos últimos anos e a frase que não sai da boca de seu torcedor é a inocente “Time grande não cai”. Lógico que o São Paulo é um grande clube brasileiro, de história respeitosa por tudo o que representa ao nosso futebol. Só que é impressionante como os torcedores deles têm mania de grandeza. O time treinado pelo fraquíssimo Dorival Junior tem até mais elenco que o Vasco de Zé Ricardo, mas joga um futebol visivelmente inferior. Para se ter ideia, os últimos gols deles saíram ou em jogada manjada pelos flancos ou em cobranças de pênalti. O time não cria absolutamente nada em campo mesmo contra adversários mais fracos e vem tomando vaia todo jogo. Mesmo assim, os tricolores parecem estar mais preocupados com o Vasco do que com o time deles. Chega a ser engraçado.

Se analisarmos o hoje, Zé Ricardo dá um baile em alguns treinadores. Dorival é um deles.

Mais um ano começou e, mesmo na Libertadores, testemunhamos gente dizendo ao léo que o Vasco vai cair, a ESPN apostar contra e os anti-Vasco repetindo sempre as mesmas coisas. O que posso garantir, torcedor, é que quanto mais gente acredita no nosso fracasso, maior as chances de surpreendermos. O primo pobre do Rio de Janeiro, que não precisa ser da zona sul para ser amado, sempre teve ao longo de toda a sua brilhante história a incrível capacidade de calar bocas. O atual elenco, nivelado, sem atletas de renome e recheado de jovens talentosos pode comer pelas beiradas e fazer exatamente isso. Deixa eles comemorarem contratações como se fossem títulos. Deixa todo mundo achar que ainda estamos na pior. Nós já paramos no tempo, agora é a vez deles. Quem acompanha sabe que o mundo da bola também dá suas voltas. Quando o Gigante der a volta por cima e os outros estiverem por baixo, aqueles que trazem frases de efeito para tirar sarro na ponta da língua certamente se recordarão daquela que diz que “quem ri por último ri melhor”. E viva o futebol!

Saudações!

Comentários

comentários