Após jogo feio, faltoso, em que o Cruzmaltino praticamente não entrou em campo, a inegável qualidade técnica superior do Rubro-Negro se sobressaiu, com estes arrancando uma vitória na Colina Histórica que não vinha há mais de 40 anos. Porém, se engana quem pensa que essa foi a maior derrota da noite, a qual, em condições normais, já seria o suficiente para estragar a noite de qualquer vascaíno. Pior, o Vasco perdeu para si mesmo, num clima de guerra triste, que apenas realça a decadência do nosso clube. Tudo que está ruim pode piorar, e descobrimos de forma horrível.

Para início de conversa, aquele que atira bombas e depreda seu próprio estádio não é torcedor, é marginal, bandido desprezível e deveria ser identificado para jamais botar os pés de novo em São Januário. Absurda e indefensável a atitude desses indivíduos, que de quebra botaram em risco a integridade física de pessoas que nada tinham a ver com a história, famílias, com crianças no meio. De qualquer forma, o tal território hostil cumpriu o seu papel muito bem, porém de forma invertida, pois foram os vascaínos que se sentiram amplamente desconfortáveis dentro de sua própria casa.

A situação como um todo foi lamentável em todos os aspectos. Dentro da própria massa de cruzmaltinos, houve diversos focos de briga e, como de costume, aqueles que protestavam contra a diretoria apanhavam e eram rapidamente silenciados, numa repressão digna das mais cruéis ditaduras. Considerando a presença maciça de organizadas compradas pelo Doutor, não é de se surpreender, aliás, era perceptível “torcedores” infiltrados, prontos para acabar com a festa e começar uma guerra.

Ao invés do costumeiro clima de festa e apoio durante os 90 minutos, a arquibancada era composta por uma torcida rachada e apreensiva, que necessitava de uma faísca para explodir. Mas claro, a culpa não é meramente dos delinquentes que depredaram nossa casa, afinal, o GEPE se saiu bem mal, alegando pressa para terem deixado passar batido as inúmeras bombas que adentraram o estádio. Fiscalização porca e que certamente contribuiu para o clima de terror instaurado, apesar de que é capaz, inclusive, das bombas já estarem desde antes dentro do próprio estádio. A quantidade de artefatos era atípica, o que dá indícios de que a tragédia foi premeditada, talvez por motivos políticos. É aquela velha história de apoiar dirigentes, não o Vasco.

Eurico Miranda, vale ressaltar, incita uma psicopatia perigosa nos torcedores, com uma mentalidade de ganhar do Flamengo a qualquer custo. Como a vitória não veio em campo, conveniente que viesse na porrada para os vândalos, que possivelmente tiveram, inclusive, influência do presidente em seus atos, o que não é uma hipótese descartável. Sem falar que, claro, para o velho, ele não tem culpa nenhuma, tudo ação da perversa oposição, afinal, ele é um santo que vive em seu colorido mundo imaginário, onde tudo é bonito e o Vasco não está em crise. Crise chega até a ser eufemismo, o Gigante da Colina está doente, e barbáries como essa retratam a precária situação do clube, com a sua história a cada dia mais manchada.

Independente dos culpados, foi um dia extremamente triste para os vascaínos, onde o resultado foi apenas detalhe. Logo São Januário, depredado por seus próprios filhos, pelos herdeiros daqueles que o levantaram com tanto amor. Nosso eterno lar, desrespeitado por quem devia tratá-lo com imenso carinho. Uma ferida profunda na Cruz de Malta, que vai tardar a cicatrizar. De forma dura, vimos que o ano, novamente, será difícil, torturante até o fim. Por ora, resta torcer pela luz no fim do túnel pois, quem sabe, nas eleições, não possamos acordar o gigante adormecido? Reage, Vasco! Fora, Eurico!

Saudações vascaínas!

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