Zé Ricardo, em sua entrevista coletiva, disse que acreditava que o resultado elástico de 0x4 ocorreu porque o time teve sorte em alguns momentos, e ressaltou que a preparação para esse jogo foi muito forte. A breve análise do técnico foi bem fiel com o que de fato aconteceu em campo, pois o Vasco teve lances de rara sorte ao seu favor, mas também era nítido que estava fisicamente superior ao adversário.

Excetuando os momentos de infelicidade do Concepción, foi possível ver que a equipe jogou bem com a posse da bola. Os movimentos dos jogadores na hora de iniciarem as jogadas foram coordenados e os passes bem executados. Nesse sentido, vale destacar a atuação do volante Leandro Desábato – que mais uma vez teve um nível altíssimo de acerto de passes.

Além disso, foi perceptível que a troca de passes é uma prioridade na saída de bola. Em alguns momentos, a equipe do Concepción subiu a marcação e tentou pressionar o Vasco. Nessas situações, a tranquilidade e a categoria dos jogadores apareceram e facilitaram a transição defesa-ataque.

Contudo, é necessário pontuar que a postura da equipe sem a bola não foi bacana. O time adversário teve, pelo menos, duas chances claríssimas de fazer o gol. Ou seja, não sofremos gol nessa partida por erros bizarros do Concepción.

O posicionamento do sistema defensivo está evidentemente desentrosado. Se já não bastasse a falta de entrosamento, Wagner e Erazo mostraram deficiências no setor defensivo. Wagner teve dificuldade de acompanhar o ataque da equipe chilena pelo lado direito e acabou sobrecarregando Pikachu. Erazo, por sua vez, com seu 1,92 m perdeu bolas no jogo aéreo. Isso é inadmissível, um erro gravíssimo, que precisa ser corrigido.

Taticamente, a equipe jogou num 4-1-4-1 na maioria do tempo. Desábato mais preso na marcação, com Wellington e Evander mais a frente; Wagner e Paulinho abertos. Como o Vasco fez o gol logo no início, não foi necessário que Evander fosse adiantado pra jogar mais próximo ao atacante Andrés Ríos, no espaço que era ocupado por Nenê. Hoje, Evander tem jogado melhor vindo de trás, isto é, com a bola dominada e de frente para o gol adversário. Caso a nova diretoria não contrate nenhum camisa 10 de peso, talvez será necessário adaptá-lo a essa nova função. Com ritmo de jogo e entrosamento com os jogadores próximos a ele, Evander pode ser destaque em duas posições fundamentais para a armação de jogadas.

Na transmissão da Rede Globo, Juninho Pernambucano ressaltou a dificuldade em destacar apenas um ou dois jogadores, pois quase a equipe inteira se comportou bem. De fato, seria injusto fazer isso, visto que até os jogadores que entraram no segundo tempo foram muito bem, principalmente o Rildo. Thiago Galhardo, que fez sua estreia, também teve uma atuação interessante.

Por fim, seguindo a mesma linha de argumentação dos jogadores após o término da partida, é importante que o Vasco jogue de forma concentrada no jogo da volta, sem nenhum clima de “oba-oba”. Não se pode esquecer que estamos jogando a Copa Libertadores da América. Tem que ter seriedade e buscar jogar o melhor futebol possível.

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