São Januário (Foto Luiz Vitor/Guerreiros da Colina)

Num comunicado ao presidente da Associação Metropolitana de Esportes Atléticos, que ficou conhecido como Resposta Histórica, o então presidente vascaíno José Augusto Prestes se recusava a dispensar 12 de seus atletas, entre eles negros, nordestinos e pobres. O clube cruzmaltino sempre teve um histórico de perseguições, e além de possuir jogadores de “profissão duvidosa”, outro motivo para sua não inclusão na AMEA era o fato de não possuir um estádio próprio. Mas o Vasco não abaixaria a cabeça para ninguém, e em pouco tempo, o clube já havia arrecadado uma quantia boa o bastante para construir sua casa.

O jogo inaugural não foi aquilo que se esperava. O time perdeu de 5 x 3 para o Santos, um dos times mais fortes da época. Ainda assim, o estádio Vasco da Gama guarda em cada canto um pedaço da história gloriosa do Almirante. A torcida fez do lugar um Caldeirão, onde os adversários temem jogar, e aos gritos da torcida vascaína e seu apoio incondicional, é difícil bater o time anfitrião. Foi naquele estádio onde Romário fez seu milésimo gol. Onde ganhamos inúmeros jogos de virada, onde vimos nosso time fazer o impossível.

Sim, houveram tristezas. Como não lembrar a queda do alambrado na final da João Havelange? Ou o torcedor que tentou se jogar da marquise? São 87 anos de história, e é claro que devem haver coisas ruins também. Mas o passado de glórias e vitórias se sobrepõe. O estádio tem sua fachada tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, e há um projeto de lei com o objetivo de tombar todo o estádio e seu complexo esportivo e social. São Januário possui muito mais história do que qualquer um dos rivais do Vasco.

Hoje se discute uma possível modernização e ampliação. Muitos são contra, a fim de manter a tradição e o espírito daquele lugar incrível. Além do mais, vemos o quanto o chamado “futebol moderno” vem prejudicando o esporte e tirando muito daquilo que tanto apreciamos nele. Mas não importa o que façam com São Januário, aquele lugar será sempre a casa do Vasco e da sua torcida. Jamais deixará de ser O Caldeirão, e não será o futebol moderno ou o “padrão Fifa” que tirarão isso de nós.

Texto escrito por Richard Carrasco.