O ano era 1990. O Vasco, atual Campeão Brasileiro da época, disputava as quartas de final da Copa Libertadores da América contra o Atlético Nacional, que defendia o título do torneio continental. Contudo, se engana quem pensa que era um confronto qualquer. O time colombiano, além de dominar o cenário local, era comandado pelo Cartel de Medellín, recebendo vultosos investimentos derivados do narcotráfico. Pablo Escobar, amante de futebol, era “patrão” do El Verde y Blanco.

No dia 6 de setembro, os Verdolagas enfrentavam o Cruzmaltino em Medellín após 0 a 0 no Maracanã. Uma vitória simples definiria o confronto, e não deu outra, os colombianos venceram os vascaínos por 2 a 0, garantindo a classificação. Porém, a história não acabou por aí. E foi nesse momento que as jornadas de Pablo Escobar e do folclórico cartola vascaíno, Eurico Miranda, se cruzariam.

Sabendo de conversas de bastidores, Eurico, então vice-presidente de futebol vascaíno, começou a insinuar que Pablo Escobar teria comprado o árbitro da partida, o uruguaio Juan Daniel Cordellino, e fez tudo para que a partida fosse remarcada. Em seu depoimento à Conmebol, Cordelino disse que lhe fizeram, por telefone, uma oferta de 20 mil dólares para beneficiar o Nacional. Com todas as informações na mão, a Conmebol puniu o Atlético Nacional e remarcou a partida para Santiago do Chile.

“Já no aquecimento em campo deu para sentir a pressão, com policiais com cachorros ao nosso lado”, disse o ex-lateral Luiz Carlos Winck, que jogou naquela noite. “Não houve um lance capital com influência dele, mas ele estava alterado, vinha para cima da gente sempre. Dava para perceber a pressão pelo resultado favorável ao Nacional”, lembra.

“Vieram me denunciar que o árbitro tinha sofrido um sequestro-relâmpago e teriam dito pra ele: ‘Vê lá o que vai acontecer’. Diante daquele quadro todo, tinha Cartel de Medellín no meio, eu tive coragem de denunciar, o árbitro confirmou e foi anulada a partida”, contou Eurico, em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo.

Com a terceira partida marcada para 13 de setembro, se engana quem pensa que o Vasco se empolgaria com a nova chance. Com gol de Arboleda, o Atlético Nacional venceu por 1 a 0 e o Gigante da Colina dava adeus à Libertadores. Apesar da eliminação, o Almirante por um dia fez frente ao maior narcotraficante de todos os tempos, e de um jeito ou de outro, isso sim fica para a história.

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